sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Momento melancólico

Os obstáculos que a vida nos reserva fazem de nós pessoas amargas, pelo menos, é aquilo que eu sinto. Não consigo encontrar alegria no meu dia-a-dia, são as responsabilidades de casa (tarefas domésticas), as responsabilidades do trabalho e no meio disto tudo qual é o tempo que sobre para tratar de mim, pouco ou quase nenhum. Como é que passamos de tanta alegria e coragem para tanta tristeza e medo.
Talvez porque quando o amor se transforma em desprezo, a solidão e a insegurança instala-se. Talvez são desculpas porque "As dificuldades são como as montanhas. Elas só se aplainam quando avançamos sobre elas."-Provérbio japonês. É provavelmente por aí que eu vou ter de mudar. Alguns dos meus amigos perguntam-me como é que alguém como eu pode se deixar ir abaixo, ainda mal comecei a vida de trabalhador e já me sinto desarmada. Quais são afinal as armas que eu preciso de ter para vencer tanta na vida pessoal como profissional? Porquê a necessidade de ser duas pessoas muito diferentes consoante o meio onde estou e as pessoas com quem eu estou. Ultimamente, sinto que parei de viver porque só falo do passado porque é lá que eu tento ir buscar alguma energia e relembrar-me momentos de felicidade.
Pois, mas como quero reagir perante esta fase negra da minha vida, decidi cuidar mais de mim e vou aos poucos eliminar tarefas que só me chateiam e tentar dedicar mais esse tempo a minha pessoa. Não acham?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A Minha Cidade Natal - Lille

Desde que voltei para Portugal, nunca tive oportunidade de dar a conhecer a minha cidade natal, Lille. Grande parte dos meus amigos já tinham ouvido falar desta cidade devido à participação do seu clube de futebol, o LOSC, Lille Olympique Sporting Club, na Liga dos Campeões da Europa. Acho que eles perderam para o Manchester United na 2ª fase.
Nasci numa metrópole no Norte de França com cerca de 1,2 milhões de habitantes, perto da fronteira com a Bélgica e do Canal da Mancha. Lille é a maior cidade da região Nord-Pas de Calais e a quarta maior aglomeração francesa por sua população, atrás de Paris, Lyon e Marselha respectivamente. Frequentei a universidade de Lille com 110 000 estudantes antes do meu regresso.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a cidade foi ocupada pelos alemães e foi em grande parte destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Na reconstrução, apostaram na indústria, principalmente nos têxteis, e desenvolveu-se um grande pólo industrial, que atraiu a imigração. Na década de 1990 a cidade modernizou-se com a construção do Euralille, TGV Nord, entre outros, e aproveitou a sua posição geográfica para tentar impor-se no comércio com a Grã-Bretanha, a Bélgica, o Luxemburgo e a Holanda.

Lille é uma das cidades mais visitadas no Norte de França. Podemos encontrar vários monumentos interessantes:

Porta de Paris: monumento construído em homenagem ao rei Luís XIV de França.
Monumentos aos combatentes das duas guerras mundiais estão espalhados pela cidade; a cidade guarda uma má lembrança das guerras e algumas grandes batalhas tiveram lugar na cidade ou perto.
Gare Lille-Flandres: possui a fachada antiga da Estação do Norte em Paris
Citadelle: um grande parque que serviu como quartel general na época da guerra para os militares, possui uma grande área florestal e o Rio Vauban.
Parque Jean Lebas: um parque que se encontra ao centro da cidade.
Beffroi: um monumento que fica na Mairie de Lille, a prefeitura da cidade, possui 104 m, tem a forma do Big Ben em Londres, com um relógio em cima.
Palais des beaux arts: um enorme palácio, que hoje serve como museu.

Como toda a cidade que se presa, existe duas grandes festas durante o ano:
A Braderie: quando os restaurantes jogam na calçada as cascas de mexilhão e o restaurante que fizer o maior monte ganha. Essa festa também envolve várias barraquinhas e é a mais esperada no ano pelos lillois, os habitantes de Lille.
O Natal em Lille conhecido com o mais bem decorado da França, com isso a cidade atrai bastante turistas nessa parte do ano.
Penso que desta forma já ficaram a conhecer melhor a minha cidade e espero que tenham oportunidade um dia de passar por lá e apreciá-la.

Gueixas

No liceu, as matérias que me fascinavam e me permitam sonhar eram história e geográfia. Numa pequena sala de aula, conseguia evadir-me nos meus pensamentos. Foi desde essa altura que nasceu esta curiosidade de conhecer "O MUNDO", principalmente culturas diferentes da cultura occidental.


Os livros também contribuem para esse conhecimento mas ultimamente tenho de admitir que não tenho atribuido tempo à leitura, talvez falta de tempo ou má gestão do tempo, só sei é que desde que eu trabalho, a vontade de ler tem desaparecido. Devorei livros e livros de estilos completamente diferentes, entre eles, lembro de um que falava de uma gueixa, Memória de uma Gueixa de Artur Golden. Ao longo do livro, tive dúvidas em relação ao significado de uma gueixa, se era prostituta ou acompanhante de luxo, logo, fui tentar saber mais acerca destas mulheres que apareceram em meados do século XVIII.

"A gueixa contemporânea é a elite da extensa indústria que evoluiu através dos séculos para atender aos desejos sensuais do homem japonês. Mas ela não é prostituta. Se fornece serviços sexuais, é por opção ou porque está envolvida em um relacionamento duradouro. O trabalho dela é vender sonho (de luxo, romance e exclusividade) aos homens mais ricos e poderosos do Japão. Dentro dos restaurantes e das casas de chá mais caras, enquanto os homens conduzem negociações delicadas, as gueixas servem saquê e têm a função de não deixar a conversa esmorecer - ao custo de milhares de dólares.
As poucas mulheres que penetram no mundo das gueixas são atraídas pela imagem romântica ou pelo amor às artes tradicionais. Mas, antes da Segunda Guerra, a maior parte delas não tinha escolha: nascia no ramo ou era obrigada a entrar nele para sobreviver.
Em uma sociedade em que o papel da mulher se restringia a ficar em casa ou no bordel, as gueixas conquistaram para si um nicho separado, criando uma comunidade de mulheres que ficou conhecida como "o mundo da flor e do salgueiro". Elas se vestiam com quimonos de seda luxuosos e buscavam a perfeição por meio da maquiagem e das maneiras educadíssimas. Em seu auge, no século 19, eram precursoras da moda e da cultura popular - as top models de sua época. Mas, quando a cultura ocidental tomou o Japão de assalto no pós-guerra, as gueixas ficaram congeladas no tempo, usando a tradição como seu maior atractivo.
Uma gueixa (nome que significa "pessoa que vive pela arte") estuda a cerimônia do chá, caligrafia e um instrumento chamado shamisen e ensaia apresentações de dança - a única apresentação pública de seus talentos. Nesses shows extravagantes, elas se movem em uma série de poses elegantes e contidas, demonstrando pouca exuberância.
Mas a arte que revelam em festas é outro assunto. Quando os homens se sentam para jantar, as gueixas se ajoelham a seu lado, sorriem, oferecem quitutes e servem saquê. Quando o álcool começa a fazer efeito, as restrições e as línguas se soltam. As gueixas brincam, tocam shamisen e cantam. Numa cultura obcecada pelo trabalho, fornecem a ilusão do romance para gente com raro acesso à emoção verdadeira.
Apesar de seus dons artísticos, os japoneses dizem apreciar mais sua capacidade de conversar. Elas sabem sobre os fatos mais recentes e estão a par das fofocas do mundo do teatro e do sumô. Conhecem o ego masculino e cuidam dele com se cultivassem um jardim.
As gueixas e suas aprendizes, conhecidas como maiko têm uma vida agitada e cara. Apesar de bom salário e fartas gorjetas, boa parte vai para a compra de quimonos, que podem custar milhares de dólares. Como elas não podem se casar, muitas arrumam amantes mais velhos para obter apoio financeiro e emocional. Com o tempo, as jovens maikos costumam abandonar a rigidez da vida das gueixas, por isso a idade média das profissionais, que hoje em dia formam um grupo de menos de mil pessoas, gira em torno dos 40 anos. "

A tradição dura até hoje....

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

William Shakespeare



Quando me sinto fragilizada, aprecio o apoio dos amigos, dos pais e como é evidente da pessoa que amo. Sem esse apoio superar os obstáculos do dia-a-dia sería mais difícil, por isso, quero agradecer -vos e retribuir de alguma forma o meu sincero reconhecimento.




Para marcar este momento, não podería ter escolhido melhor poeta que o William Shakespeare, dramaturgo e romântico como eu.




"De almas sinceras a união sincera


Nada há que impeça: amor não é amor


Se quando encontra obstáculos se altera,


Ou se vacila ao mínimo temor.


Amor é um marco eterno, dominante,


Que encara a tempestade com bravura;


É astro que norteia a vela errante,


Cujo valor se ignora, lá na altura.


Amor não teme o tempo, muito embora


Seu alfange não poupe a mocidade;


Amor não se transforma de hora em hora,


Antes se afirma para a eternidade.


Se isso é falso, e que é falso alguém provou,


Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."




Quando sentimos o amor desta forma, estamos mais sujeitos às ilusões e desilusões ocasionadas por este sentimento. Há uns anos atrás amar para mim significava paixão, entrega, alegria e felicidade. Depois, transformou-se em desconfianças, sofrimento, traições e ciúmes. Com novos relacionamentos, encontrei outros significados no amor, nomeadamente, partilha, doçura, estabilidade e confiança.




E quando percebo que o amor é a melhor coisa que me podia ter acontecido, surgem na relação medos, dúvidas e inseguranças.




Nesse caso só resta um caminho a tomar tal como dizia o William Shakespeare:




"... O tempo é algo que não volta atrás.Por isso plante seu jardim e decore sua alma,Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores ..."




terça-feira, 14 de outubro de 2008

O que é o Karma?


Alguns dos meus amigos já criaram o seu blog e incentivaram-me a criar o meu, com o intuito de partilhar as experiências vividas e libertar as emoções. "É melhor tentar e falhar, que se preocupar e ver a vida passar".


Escolhi Karma como tema que tem me despertado muito interesse por diversas razões, uma delas foi a prática recente do Yoga que me transmitiu uma certa paz de espírito, e permitiu-me um reequilíbrio entre a mente e o corpo.


Ao ler diversos artigos sobre o Karma ou Carma, percebi que dependendo da doutrina (budista, hinduísta e jainista) e dos dogmas da religião discutida (espiritismo e New age), este termo pode parecer diferente, porém a sua essência sempre foca as acções e suas consequências.


Escolhi alguns parágrafos mais interessantes e que expliquem de forma explícita a lei do Karma:


"A lei do Karma nos controla e vigia a cada instante e por isso qualquer acto bom ou mau nas nossas vidas têm consequências. Todo o mal que façamos há que pagá-lo e todo o bem que façamos ser-nos-á recompensado. Deus nos deu livre arbítrio e podemos fazer o que queremos, mas temos que render contas de todos os nossos actos diante da justiça divina."


"Quando um homem vem a este mundo traz o seu próprio destino e por isso uns nascem num colchão de penas e outros na desgraça."


Todos devem conhecer os seguintes provérbios Cristãos que transmitem essa mesma ideia: “o que semeia raios colhe tempestades”; “com a vara com que medes serás medido”; “olho por olho, dente por dente”; “ o que a espada mata, a espada morre”.

"A lei do Karma governa todo o criado, e é uma lei imutável. Ela é conhecida nas religiões como “justiça celestial”. Quem transgride uma lei cria dor para si mesmo."

"É simbolizada com uma balança. O prato direito corresponde às boas obras e é denominado DHARMA. O prato esquerdo corresponde às más acções e é chamado KARMA. Esta lei é também conhecida como a lei de acção e consequência, ou causa e efeito."


"O Karma é uma lei de compensação e não de vingança. O Karma é um remédio que nos é aplicado para o nosso próprio bem; desgraçadamente, as pessoas em vez de inclinar-se reverentemente diante do Eterno Deus Vivente, protestam e/ou blasfemam, justificam-se a elas próprias, desculpam-se e lavam as mãos como Pilatos (Bíblia Cristã)."


"Quando protestamos, o KARMA não é modificado, em vez torna-se mais duro e mais severo. Reclamamos fidelidade ao conjugue quando fomos adúlteros nesta vida ou em vidas passadas. Pedimos Amor quando temos sido bárbaros ou cruéis; solicitamos compreensão quando nunca temos dado compreensão a ninguém. Teríamos preferido nascer num lugar belíssimo e com muitas comodidades, quando em vidas passadas não soubemos oferecer um lar. Queremos que os nossos filhos nos obedeçam, quando jamais soubemos obedecer aos nossos pais. Incomodam-nos terrivelmente que sejamos caluniados, quando sempre fomos caluniadores e temos enchido o mundo de dor. Quer dizer, reclamamos aquilo que não soubemos dar..."

Para finalizar , existe uma expressão que resume o princípio do Karma: «Running on Karma» que se pode traduzir muito simplesmente por "colhemos aquilo que semeamos", com a diferença de que o que aqui está em causa é a Vida enquanto processo mais vasto e contínuo, cada vida é apenas uma fase em que cada um de nós evoluímos, etapa a etapa, na definição do nosso ser espiritual ou alma.